A Galeria Frente + Faria abriu, em 19 de fevereiro, em Nova York, a mostra dedicada à tapeçaria “Fios da Modernidade” — Threads of Modernity, no título em inglês. A exposição marcou a segunda investida da nova galeria nos Estados Unidos e reuniu dezenas de obras que exploraram a potência estética e histórica dos fios. Em cartaz até 31 de março, com entrada gratuita, a mostra consolidou a atuação da Frente + Faria na cena internacional.
A união entre as galerias Frente e Henrique Faria, ambas com trajetória consistente na pesquisa, exposição e valorização da arte latino-americana; teve início em setembro de 2025 e resultou em uma plataforma renovada dedicada à promoção de artistas históricos e contemporâneos da América Latina. Mais do que uma associação institucional, a parceria estabeleceu pontes entre colecionadores, curadores e instituições em escala global.

A exposição revisitou um momento decisivo da arte brasileira. A partir dos anos 1950, a tapeçaria conquistou no país o estatuto de obra de arte, deixando de ser apenas arte aplicada para ocupar ateliês, museus e galerias como objeto de contemplação. Nesse contexto, destacou-se o baiano Genaro de Carvalho, que iniciou a carreira como pintor e, em 1955, abriu em Salvador seu primeiro ateliê dedicado à tapeçaria. Rapidamente reconhecido, teve trabalhos exibidos em mostras relevantes e incorporados a coleções no Brasil e no exterior.
Com imaginação ancorada na cultura e nas paisagens brasileiras, Genaro teceu pássaros, folhagens e festas populares, fundindo técnicas tradicionais a uma abordagem moderna. Sua paleta vibrante e o desenho sinuoso revelavam diálogo com o modernismo, mas também uma assinatura própria, marcada pela celebração do cotidiano tropical.
Outro nome central foi Norberto Nicola. Tapeceiro, desenhista, escultor, gravador e pintor, Nicola levou a natureza ao campo da abstração. Em suas criações, utilizou lã, linho, sisal, vime e cânhamo, explorando texturas e relevos com rigor construtivo. Seu senso tátil singular transformou a tapeçaria em experiência quase escultórica, por vezes tangenciando a instalação.
Como parte das ações propostas pela galeria, que incluem exposições individuais e coletivas, apresentações especiais e participação em feiras internacionais, a mostra também apresentou a obra Sem título, do uruguaio Carlos Páez Vilaró. Pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor e compositor, Vilaró foi criador e proprietário da emblemática Casapueblo, em Punta Ballena, no departamento de Maldonado — monumento branco moldado com as próprias mãos, que se tornou um dos principais cartões-postais do Uruguai.

Fundada em 2015, a Galeria Frente consolidou-se como uma das principais galerias especializadas no mercado secundário de arte moderna e contemporânea brasileira. Ao longo de sua trajetória, apresentou exposições dedicadas a artistas como Mira Schendel, Antonio Maluf, Hércules Barsotti, Frans Krajcberg, Iberê Camargo, Francisco Stockinger, Gilberto Salvador, Igor Rodrigues e Candido Portinari. Localizada no bairro dos Jardins, em São Paulo, a galeria tem como missão fomentar o colecionismo e promover exposições comprometidas com a história da arte, destacando obras históricas e trajetórias fundamentais da produção brasileira.

Já Henrique Faria Fine Art abriu as portas em Nova York, em 2001, como gabinete de arte especializado em mestres latino-americanos do abstracionismo geométrico e artistas contemporâneos em meio de carreira. Em 2007, ampliou o escopo para investigar práticas conceituais latino-americanas então pouco difundidas. Ao longo das últimas duas décadas, museus e coleções institucionais tornaram-se clientes centrais da galeria, acompanhando o crescente reconhecimento global da arte produzida na América Latina.
Serviço: Exposição Fios da Modernidade, de 19 de fevereiro a 31 de março de 2026. Local: 35 East 67th Street, 4º andar, Nova York, NY 10065.